quinta-feira, 22 de setembro de 2016

O PRANAYAMA

                                              
I - Conceito
            Neste trabalho, o vocábulo Prana, que possui diversos significados, é  retratado com o conceito  de  "Consciência." A palavra  "Yama"  ostenta o significado de "ação de expandir".  Assim, a  união desses dois termos, Prana+Yama  forma a palavra  "Pranayama", que significa   "Expandindo a  Consciência."
            Pranayama, portanto, é  uma prática subjetiva destinada a conduzir a Consciência  para  Deus.
             Constitui  um  processo de harmonização mental através do qual se iguala  a Unidade com a Multiplicidade e a Multiplicidade com a Unidade.
            No Bhagavad Gita, o Evangelho Universal da Unidade, esse processo de harmonização mental está  assim expresso:
             “Quando o aspirante percebe a  Multiplicidade  centrada  na Unidade e, ao mesmo tempo,  emanando dela, então, compreendeu Deus." (BhG VII,8 ).
            O  objetivo pranayama é  expandir a Consciência no sentido do Amor Incondicional, da Harmonia, da Plenitude, enfim,  de Deus. É predominantemente subjetivo, por ser um ato puramente mental.

II - A condução da Consciência  para Deus
            A Consciência tem sua base predominantemente na Mente Emocional (Manas), que, pela  sua própria natureza,  está habitualmente orientada para o objetivo, para o exterior.
            Se queremos desviar o curso da Mente do objetivo para o Subjetivo e, com isso, alcançar um estado de unidade (Yoga), o Pranayama constitui o primeiro passo, que deve ser praticado antes da Meditação.
  
 III- O Conhecimento Correto de Deus
            O Estado de Unidade é um estado de  comunhão com  todo o Universo, um estado de compreensão da permanente da Unidade existente entre  todos os seres, um estado de Harmonia, de Paz e  de Plenitude, enfim, de comunhão com Deus.
            Para se alcançar esse estado de plenitude, o primeiro passo é buscar o Conhecimento Correto de Deus.
            Esse Conhecimento é  aquele que "reconhece a constante Unidade de todos os Seres, o Único e Indiviso e sempre o Mesmo, na multiplicidade dos elos(Bhagavad Gita X, 10).
            Também retrata esse conhecimento o aforismo: "Tudo é Deus. Tudo é da Natureza de Deus. Tudo é Necessário." De  igual modo, o   Bhávana ou Conceito da Unidade::
"Penso, com amor divino, que todos os seres nasceram dentro do Espírito Santo Universal, que tudo compenetra e tudo sustenta, numa ordem constante e em vida eterna.
Portanto, todos os seres, inferiores como superiores, participam de uma mesma vida e formam, nos espaços infinitos, um só corpo cósmico.
         A finalidade do Pranayama é  reeducar a Mente nesse Conhecimento da Unidade, da Grande Síntese da Vida Universal.
      Essa reeducação é de vital importância para o processo de purificação dos nossos veículos, porquanto todos os traumas, condicionamentos, cargas e demais emoções adversas foram formados  a partir de um  conceito de separação, profundamente arraigado em todas as nossas experiências da vida evolutiva.
        À medida que, com a Prática do Pranayama,  vamos transformando os diversos conceitos de separação existentes em nossa Mente, no Conceito  da Unidade, os nossos apegos, condicionamentos, cargas e traumas vão sendo dissolvidos e a Luz da Sabedoria Espiritual vai compenetrando os nossos veículos (Koshas)  e Centros Receptores de Energia (Chacras):
            "Assim como uma grande fogueira queima a lenha que é colada sobre ela, da mesma forma o fogo do Conhecimento da Unidade  queima a impureza do apego de todas as ações (BhG XXIV,19).
             "Em verdade, no processo do mundo, não existe nada que purifique tanto quanto o Conhecimento da Unidade.....(BhG XXIV, 20).
            
IV - A importância do Estudo da Unidade.
             Um  estudo da Unidade (Síntese) revela-nos  este estado superior de harmonização com o Todo, onde  as três forças,  Espírito, Energia e Matéria  encontram-se unidas e em completa igualdade e equilíbrio.
          O principal resultado  do Estudo da Síntese é a aquisição da habilidade  de vencer as oposições hostis, que  tanto sofrimento nos causam.  Com esse Conhecimento, adquirimos  um senso amistoso em todos os relacionamentos aparentemente conflituosos.
         Aquele que se dedica a esse  estudo vai gradativamente se libertando da escravidão e sofrimento provocados pelo  Egoísmo.
           A compreensão equivocada de que todos os seres e coisas estão separados constitui  a  causa principal dos nossos sofrimento  no processo do mundo.
            Essa ótica de separação constitui, também, a grande fonte de energia que sustenta e nutre o  Egoísmo.
            O Estudo da Síntese, portanto, representa uma condição importante para o êxito na prática do  Pranayama, já que ele acelera e aprofunda o conhecimento da Unidade que essa  prática  induz.

V - O Pranayama e transcendência das Dualidades.
            Vivemos num mundo de dualidades, como prazer e dor, alegria e tristeza, vitória e derrota, etc.
            Por força de uma  Lei Universal, as Dualidades se repetem alternadamente: uma experiência de prazer sempre dá lugar a  uma experiência de dor, uma experiência de alegria sempre dá lugar a  uma experiência de tristeza e, assim,  sucessivamente.
            Quando aderimos a um dos polos das dualidades, a Lei da Alternância das Dualidades  nos impulsiona a experienciar o outro polo. Como a nossa natural inclinação é sempre no sentido  do polo agradável, a consequência dessa opção é  sempre  o sofrimento.
            Para evitar essa consequência,  precisamos reformatar os diversos conceitos de nossa Mente à luz do  Conceito Universal da Unidade.
            O  Pranayama nos prepara  para transcender a influência das dualidades opostas, mediante um processo de Síntese, onde poderemos perceber o lugar que corresponde às diversas partes, em sua relação com o Todo.

VI - O Pranayama e a Mente
            Os atos  dos seres humanos classificam-se como físicos, sensoriais, emocionais, mentais e intelectuais. O  Pranayama pertence à categoria dos atos Mentais, que são aqueles  realizados através do pensamento. Um pensamento constitui, portanto, um ato mental.
            A Mente,  que se pode considerar como o décimo primeiro sentido, apesar de receber suas impressões através dos Sentidos, não está condicionada exclusivamente por estes, já que possui  movimentos próprios e  independentes,  de preferências e desagrados. 
             Por esta razão, Manas experimenta também o prazer e a dor que isto traz consigo. Ela é tida como o veículo da Meditação e é denominada também de  controladora dos Sentidos”.
            Para elevar mais a Consciência e chegar à idéia de Unidade é necessário superar as dualidades.  Isto só se pode conseguir incorporando-se à consciência a ideia de Síntese ou Unidade.
            O Intelecto  é o veículo de Conhecimento Superior à Mente Emocional e é o único capaz de assim influenciar, inculcar e conseguir que se estabeleça na Mente essa condição de Unidade.
            Atividade dos sentidos, qualquer que seja, incluindo exercícios de respiração, nunca  poderá  chegar a controlar a Mente,  porque os Sentidos estão subjugados a ela, que é mais sutil.
             Por ser a Mente  o veículo que recebe os frutos do Yoga e outros, está sempre presente. O estado de Unidade é alcançado neutralizando os efeitos dos opostos e das multiplicidades existentes na mente;
             O  Pranayama é um ato mental que está fundamentado no conhecimento da Unidade. Com ele,a Mente consegue obter resultados eficientes, tanto no  campo espiritual como na esfera  material.
            Ele também torna possível a percepção da  Verdade  e, em razão disso, afasta gradativamente  os Sentidos e a Mente   da sua natural e compulsiva  atração ou repulsão pelos objetos, pessoas e coisas da vida, até que, finalmente,  os  efeitos dessa atração  e repulsão  são controlados e neutralizados.

VII - As Partes do  Pranayama
            O processo completo do Pranayama se constitui de três partes  essenciais, indicadas a seguir:
            1ª Parte - O ato mental da redução das Multiplicidades, incorporando-as à Essência Divina Imanente e Única (Puraka).
            2ª Parte -  A retenção da ideia de plenitude na qual o Uno e o Múltiplo estão sempre como auxiliares necessários(Kumbaka).
             3ª Parte  - A eliminação de todos os impedimentos que não deixam conservar o conhecimento desta realidade singular(Rechaka).
            Essas três fases formam o Pranayama completo  e  são conhecidas como  Puraka (Inspiração),  Kumbaka (Retenção) e Rechaka (expiração).
            Esses  nomes também são dados aos atos de inalar, reter e expelir o ar nos exercícios de respiração. Neste tipo de  Pranayama, que é dirigido à conquista de um estado de Unidade, os exercícios respiratórios não são necessários, nem benéficos.

VIII - Puraka
            O Pranayama, em seu conjunto, é o ato que serve para conduzir a consciência para um estado de Unidade, de paz e felicidade, de comunhão com Deus.A sua prática começa com Puraka, que, em seu sentido literal, significa o ato de encher.                      
           Puraka, portanto, é um ato interno dirigido incessantemente a infundir em nosso ser a grandiosa ideia da Unidade essencial existente na Criação Infinita.
             A consequência da  estreita associação da Consciência (Prana) com a  Mente, que é de natureza variável e dual,  é o esquecimento de que pertencemos  a um Todo Sintético.
            Esse esquecimento é  o que nos leva a preferir as multiplicidades opostas, como prazer e dor,alegria, e tristeza, etc. Nesse contexto,  a alma individual, pressionada pelas forças duais,   se deixa confundir,levar e agitar.
             Recuperar a consciência de que pertencemos a um Todo Sintético,  já livre do egoísmo,  é o objetivo principal do Pranayama.
             Nesse contexto, Puraka desempenha a função de encher a Consciência com o divino Conceito  da Unidade, purificando e transmutando as motivações  negativas da Mente, que constituem  a principal causa  dos nossos  sofrimentos.
            Com  Puraka,  consegue-se a purificação dos  conceitos,(motivações),  o que também representa a purificação dos nervos( nadis).
            Todos  devemos, portanto, buscar,   a purificação dos  próprios motivos (conceitos),   mediante o Conceito  da Unidade (Bhávana).
            Resultados da Prática de Puraka.
            Pode-se relacionar, entre outros, os seguintes resultados da prática  do Puraka:
            1)  Grande Magnetismo pessoal;
            2) Capacidade  de unir, o que permite suavizar as animosidades;
            3) Abandono das distrações mentais;
            4) Estado de absoluto desapego.
  
IX  - Kumbaka
             A segunda parte  do Pranayama recebe o nome de Kumbaka, que  significa retenção, ou seja, é o ato de reter na Mente a idéia de Síntese ou Unidade que lhe foi infundida por Puraka.
            Os três grandes postulados (Mahavakyas) em que se baseia esta idéia de síntese são:“TUDO É DEUS.TUDO É DA NATUREZA DE DEUS.TUDO É NECESSÁRIO.
            Não é preciso limitar esta prática a determinadas horas do dia apenas, uma vez que ela pode ser realizada facilmente a todo momento.
            Resultados da Prática de Kumbaka
            Kumbaka pode ser realizado continuamente. O resultado é o desenvolvimento no aspirante de outras quatro características:
            1 - Estado de firmeza mental.
            Aquele estado  em que a mente não se distrai, mantendo-se firme no objeto em que está focado.
            2 - Retenção da Ideia de Síntese.
             A Mente, já  aquietada, retém a ideia de imanência da Unidade em todas as multiplicidades. Esse é um estado de felicidade eterna, já que provém da comunhão com o próprio Divino.
            3 - O Poder de não retroceder nem se desviar.
             Nestes estados, o praticante  desfruta do êxtase supremo, que é compreensível pela inteligência, porém inalcançável pelos sentidos, e que, mesmo desfrutando-o permanece no estado de Yoga ou Síntese.

            4 - Estado de Paz Mental.
             Quem desfruta dessa grande paz, dificilmente poderá considerar que existe algo mais sublime digno de ser adquirido. Aquele que alcança esse estado  considera  que nenhuma outra aquisição poderia superá-lo. 
            Conclusão
            Por força da  Prática de Puraka,  a ideia de síntese, anteriormente ténua na mente do aspirante, assume contornos de firmeza. Com isso,  o aspirante fica em condições de adotar,  com facilidade, o terceiro componente do Pranayama, que é  Rechaka.

X - RECHAKA
            Pela prática de Rechaka,   transcendem-se  as ideias de separação, que  perpetuam  as diversidades discordantes na mente do aspirante.
             É, precisamente, em  razão dessas ideias que   o aspirante  tornou-se  prisioneiro  do contraditório egoísmo,  que esteve  sempre crescendo  nele,  tornando-o sujeito à roda dos nascimentos e desejos.
            A Prática de Rechaka freia  automaticamente  essa  tendência da Mente  de conviver com essas ideias conflituosas. Consegue-se, assim, "a  transcendência sobre as  multiplicidades separatistas que impossibilitam a realização da Unidade”.
            Rechaka purifica as tendências egoístas e elimina as impurezas dos veículos corporais, dirigindo a mente do praticante para um elevado estado de felicidade. Capacita-o, também, para  cooperar no plano divino da criação e  também para  desempenhar o cargo de Instrutor Espiritual.

XI - Conclusão
            O  Pranayama gera contato com a Energia Divina (Brahma-Shakti),  que compenetra os processos evolutivos de todo o Cosmo.
             É unicamente mediante esta Divina Energia  que se torna possível  eliminar as fragilidades e impurezas de nossa alma e, assim, conseguir a  realização em Deus.
            Puraka traz conscientemente essa Energia  da Unidade ao nosso Sistema Interno, harmonizando-o e transmutando as energias adversas.
             Também gera a capacidade de  preservar essa  Energia Divina no nosso interior, prolongando e aprofundando o  alcance da nossa purificação e transformação..
             Rechaka elimina do nosso sistema interno as forças opositoras inertes, precisamente aquelas energias que conduzem os condicionamentos, cargas, e demais tendências de natureza inferior.  
          A RECHAKA ocorre automaticamente como consequência da Kumbaka, eliminando do nosso sistema interno todas as suas impurezas.

                      XII -  A PRÁTICA
            A Prática do Pranayama é acessível a qualquer pessoa e não é incompatível  com o desempenho de qualquer   ocupação no mundo. Pelo contrário, capacita o praticante para melhor desempenhar os seus deveres no processo do mundo.
             Trata-se de uma prática fácil e agradável  de se executar e que proporciona felicidade permanente  e outros resultados maravilhosos,  principalmente para aquelas pessoas que já compreenderam  como é  importante  é o conhecimento da Unidade ou sintético.
            "Sente-se confortavelmente, com a coluna ereta, fique relaxado, feche os olhos, respire suavemente três vezes, e comece a pronunciar verbalmente o Bhávana ou Conceito da Unidade, procurando tomar consciência do sentido das palavras.
BHÁVANA OU CONCEITO DA UNIDADE
            "PENSO, COM AMOR DIVINO, QUE TODOS OS SERES NASCERAM DE DENTRO DO ESPIRITO UNIVERSAL, QUE A TUDO COMPENETRA E A TUDO SUSTENTA, NUMA ORDEM CONSTANTE E VIDA ETERNA.(PURAKA)
            PORTANTO, TODOS OS SERES, INFERIORES E SUPERIORES, PARTICIPAM DE UMA MESMA VIDA E FORMAM, NOS ESPAÇOS INFINITOS, UM SÓ CORPO CÓSMICO."(kUMBAKA)
        Quando você estiver bem prático na pronúncia oral, comece a fazer o Bhávana ou Conceito da Unidade, mentalmente, com o pensamento. Este é o verdadeiro Bhávana, que é um ato mental. 

. Orientação para a prática do Pranayama
            Algumas  condições externas que são de absoluta necessidade durante e para a prática do Pranayama:  a) afastamento de aglomeração de pessoas, na hora da prática; b)evitar a alimentação  ou jejum excessivos; c) praticar exercício físicos;  c) estar tranquilo;
  
XIII - Considerações adicionais relacionadas com o Pranayama

            O Pranayamas Físicos e  o Controle da Respiração
            Cumpre registrar que o Suddha Pranayama nada tem a ver com o muito conhecido Pranayama Físico, que consiste no controle da respiração.
          Esse tipo de Pranayama não se presta para o objetivo que se busca no Suddha Pranayama, que é expandir a Consciência no sentido do Amor Incondicional, da Harmonia e da Plenitude Divina.
        Embora se atribua ao Controle da Respiração, em algumas circunstâncias, valor terapéutico, esse tipo de Pranayama não expande a Consciência no sentido do Amor Incondicional, da Harmonia integrativa e da Plenitude Divina.
          Nesse tipo de Prática,  a Consciência  pode ser burlada,  tomando uma direção oposta no sentido da Inconsciência.
           O Controle da Respiração é um tipo de prática que pode desenvolver tendências nocivas,  obstacularizadoras da realização em Deus. 
            
             A Raja Yoga
            Assim sendo,  a purificação dos conceitos atraves do Bhávana  constitui o primeiro dos três requisitos essenciais na prática de Raja Yoga..O segundo requisito  é Karma. Quem pretender praticar eficazmente o Karma,  precisa  adquirir, antes, a compreensão do conceito  Unidade (Bhávana).
             O Pranayama constitui um fator importante, que nos leva ao terceiro passo na prática da Raja Yoga.  a meditação (Dhyana), através da qual se adquire as graças divinas.
  
             A  Lei de Causa e Efeito
            Por força da Lei de Causa e Efeito, qualquer ato produz os seus resultados. Os atos mentais(pensamentos) também estão sob a regência dessa Lei Universal, produzindo os seus efeitos.
           
Nota importante:

Este trabalho  é uma adaptação do artigo O PRANAYAMA, de autoria  de SRI JARNÁDANA,   Mestre da Organização  Suddha Dharma Mandalam.

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