domingo, 14 de junho de 2015

Manual do Renunciante - Um Caminho para alcançar-se a Sabedoria.



                            Parte I
                         Introdução
          O Bhagavad Gita, um texto revelado pelo Avatar Krishna e  que expõe a Ciência Sagrada da Síntese ou Unidade, ensina que a maioria dos seres humanos não conhece o funcionamento do processo eterno do mundo e que somente se pode alcançar esse  conhecimento através da  Renúncia  e Entrega, conhecidas na Índia como  Sanyasa e Tyaga. Orienta, também, que a Busca Suprema deve ser iniciada por meio desse sublime conhecimento (Bhagavad Gita VII,12).
         O Mestre Sri Jarnadana, Instrutor da Suddha Dharma Mandalam, uma antiga e importantíssima Organização Esotérica com sede nas Montanhas do Himalaya,  comentando  os  SUTRAS DE BHAGAVAN SRI NARAYANA, afirma que o atual “estado de completa desunião entre o Espírito e a Matéria no ser humano resulta profundamente agravado pela sobrecarga de conhecimentos que a condição de alma individual(Jiva) lhe impõe.”
 O inesquecível Mestre Hindu esclarece, ainda,  que os adeptos do conhecimento sintético colocam de lado essa causa limitante e logram sua completa liberação.
 No artigo em que discorre sobre Sanyasa & Tyaga, Sri Jarnadana ensina  que “... somente a teoria à respeito de alguma coisa torna-se inútil sem a pratica, e vice-versa.”
Jesus, no seu Evangelho da Sabedoria Divina, ao concluir o Sermão da Montanha, ensina “Aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as põe em prática é semelhante a um homem prudente que edificou sua casa sobre a rocha.Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa, ela, porém, não caiu porque estava edificada na rocha.Mas aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática é semelhante a um homem insensato, que construiu sua casa na areia. Caiu a chuva, vieram as enchentes, sopraram os ventos e investiram contra aquela casa, e ela caiu e grande foi a sua ruína.”(Mateus 7, 24-29).
Como se vê, existe uma necessidade absoluta  de conciliar-se o Conhecimento teórico com a sua Prática, visto que um,  sem o outro,  não produz bons frutos.
Esse Manual do Renunciante (Sanyasi) busca colocar nas mãos dos aspirantes da Sabedoria uma ferramenta eficiente para a sua  “Renúncia & Entrega”, Sanyasa & Tyaga.

  Parte II
A Base Teórica
O  Conceito de Renúncia na India
O conceito de Renúncia tem sido objeto muitas controvérsias.  Na Índia, onde é conhecida como Sanyasa, difundiu-se, com grande vigor, o entendimento, defendido pela Escola Vedanta, segundo o qual a Renúncia (Sanyasa) significa o completo abandono do Mundo e a dedicação do aspirante, com exclusividade,  aos processos subjetivos de busca de comunhão com Divino.

O Conceito de Renúncia introduzido pelo Bhagavad Gita
O Bhagavad Gita trouxe um novo significado para esse termo,  ensinando que a Renúncia não se verifica relativamente  ao ato em si, mas em  relação aos seus frutos ou resultados, visto que a realização das ações nunca pode ser abandonada inteiramente(B. Gita XIX, 18)
De acordo com o Gita, o Verdadeiro Renunciante (Sanyasi)  é aquele que realiza  as ações necessárias e não está apegado aos seus frutos (Gita XIX,6).
Na esteira desse novo entendimento, os aspirantes, “ainda quando atuando no processo do mundo, não encontram obstáculos que o impeçam de lograr a aproximação a Deus”(XXII,25).

A Base Sintética do Funcionamento dos seres humanos
Esse tipo de  funcionamento, porém, para ser realizado com êxito, exige que o aspirante  tenha previamente conhecimentos de base sintética.
O conhecimento que inspirou a Escola Vedanta estava destituído dessa base. Para os Vedantas, Deus e o Mundo estão separados e a opção por um exclui o outro.
No enfoque de base sintética,  o Mundo é a  manifestação de Deus e ambos constituem uma Realidade Única.
De acordo com esse entendimento, o  próprio Deus  é quem opera,  como Princípio Vital (Atma),  Matéria (Prakriti) e  Energia ou Força (Shakti), esses três níveis de funcionamento do Universo, que tem  o ser humano como principal condutor.
Os conhecimentos sintéticos   levam à União (Yoga), e os que não possuem essa base  conduzem à  Separação. A Yoga é, em si mesma, uma aplicação pratica desse tipo de enfoque Sintético.
Não é possível realizar-se devidamente qualquer coisa sem os conhecimentos corretos. De todos os conhecimentos, o Sintético é o supremo porque facilita e direciona para um funcionamento sintetizante, que   é a melhor e mais perfeita forma de atuar. 
O Bhagavad  Gita é  um tratado sobre  a Ciência Sintética do Absoluto ou “Yoga Brahma Vidya”, que  apresenta uma exposição completa sobre  Deus  e o Mundo.
Nesse Livro, revela-se, através de método científico, que Tudo é Deus, que  Tudo é da Natureza de Deus e que  Tudo é necessário.  
Os ensinamentos contidos no Gita foram dados precisamente para destruir a tendência separatista da Escola Vedanta e inculcar a ideia da Unidade que deve existir entre os esforços de ordem espiritual e temporal.

A amplitude da Renúncia
A Renúncia (Sanyasa), que incide sobre o núcleo impuro do “Eu”  egocêntrico”,  não só se refere  à ação física, mas a  todas as demais esferas, como a ação  intelectual, mental ou  emocional.

A sintetização da Dualidades contrapostas
    Uma  Renúncia com tal amplitude só é passível acontecer quando, eliminando-se primeiramente a idéia equivocada das dualidades  contrapostas, sintetizam-se esses dois aspectos da vida  no Deus Único, que é a Origem  de todas as manifestações.

A transcendência sobre o sentido de separação
        Somente pode ser considerado um Renunciante  aquele que transcendeu o sentido de Separação. Não importa  qual seja seu estilo de vida, porque ele já não mais ambiciona os frutos da  ação nem para si nem para seu grupo.
Os frutos da Impessoalidade
    O Renunciante, em virtude de haver sintetizado,  na Unidade,  as contraposições entre pensamentos, palavras e obras e renunciado ao personalismo do “Eu  egocêntrico, exerce pleno controle sobre sua  Mente Emocional, está livre do jugo da Cobiça e  possui um Intelecto Desapegado. 
     Essas conquistas transformam o aspirante num servidor impessoal do mundo, conduzem-no a um  estado de completo desapego e o libertam  do processo compulsivo de ações e reações. 
Não se alcança essa liberdade  tão somente pelo fato de negar-se a iniciar qualquer trabalho,  nem tampouco pela renúncia  à ação que deve ser executada.
Alcança-se eliminando-se, em todas as ações,  as preferências pessoais,  de forma que, em qualquer ato que se execute ou que se desista de executar, tenha-se a consciência de que não se é a autor. ”Nada Faço, nem sou causa de que nada se faça.

O Discernimento Sintético e a Renúncia
       Para alcançar-se, em todas as ações, essa postura mental de desapego, deve-se  compreender corretamente a base sintética das manifestações duais, pois aquele que carece de discernimento sintético tem grande dificuldade de  renunciar ao fruto da ação (Gita XIX,4).

O Estudo das Dualidades
       É necessário, também,  estudar e entender   a   composição essencial e a dinâmica  das dualidades, não só em nosso corpo e como também no  mundo. Esses dois aspectos constituem o Conhecimento Real e Verdadeiro.

O Processo  da Renúncia e os seus efeitos sobre o Ego 
A Renúncia funciona como um fator que dissolve  o  sentido de separação  no ego do homem. Veja-se, a seguir,  como isso ocorre. 
As ações  realizadas sem renúncia  criam  vínculos (apegos) que ligam o Ego a esses resultados. Esses apegos é que  alimentam e sustentam o sentido de Separação do Ego, já que ele imagina sinceramente que é o autor das ações e que, portanto, pode apropriar-se dos seus frutos. 
Quando   se começa a  renunciar aos resultados das ações, cessam-se a geração de novos vínculos (apegos) e, em razão do influxo da Luz da Unidade gerada pela renúncia, enfraquecem-se e desfazem-se gradualmente os vínculos(apegos) existentes.  

A Entrega (Tyaga)
O sentido de existência separada vai-se enfraquecendo  até o ponto em que o Ego,  passando a reconhecer a  Sagrada Unidade da Vida, rende-se ao Grande Eu, aceitando-o como Mestre Divino, Governador Interno e Doador de Todo Bem.
Esse  reconhecimento e aceitação  devem ser vistos  como a própria Entrega,  que  é o resultado  da unificação das multiplicidades contrapostas no Deus Único  e em seu Poder (Shakti).
Essa  Entrega  ao Divino,  que mora no Santuário do coração, vai crescendo em amplitude  à  medida em que aumenta o reconhecimento da Imanência Divina em todos os processos da vida.

Os diferentes graus de intensidade da manifestação Divina
         Os graus de intensidade da manifestação  do Deus  Único,  que reside dentro e fora de tudo, estão condicionados pela natureza da Energia (Shakti) e da Matéria (Prakriti) com as quais os seres humanos  estão associados.
É dessa forma que se diferenciam, em progressiva ascendência, os  graus de intensidade da manifestação  do Deus Único através daqueles  que seguem o Caminho  das Ações (Karma Yoguis),  o Caminho da  Devoção (Bhakti Yoguis) e o Caminho do  Conhecimento (Gnana Yoguis). 
O ponto culminante dessa escala ascendente de realização divina ocorre no Plano Turya, o Quarto Plano, através daqueles que seguem o Caminho da Síntese (Atma Yoguis), que logram o contato com a Divindade manifestada no seu aspecto pleno de Eterna Yoga (Paramatma).

Deus, o Ator Universal
O Deus Pleno (Paramatma) é o Único Ator, o Desfrutador, o Criador, o Sustentador, o Mantenedor  e  o Convergidor  de todos os processos da vida. 
Como, porém, só vamos percebendo essa verdade lenta e progressivamente, somos arrastados fatalmente pelo torvelinho do processo evolutivo mundial. “...Tu Savyasachin, procura ser meramente o agente externo de tudo isso.(Gita XII, 31).

Os elevados frutos da Renúncia e da Entrega
         Mediante a Renúncia  e a Entrega alcança-se o Purusha, que é o  Aspecto Imanifestado, em eterna Yoga (Unidade) e o mais elevado da Divindade, inclusive superior   a Sat Chit Ananda.
       A Renúncia e a Entrega  são extremamente importantes não só para as etapas superiores do Yoga, mas também para   nossa vida diária, já que  nos coloca em sintonia com as Leis Divinas (Dharmas) que regem o funcionamento do Universo.

A natureza do aspirante que desenvolveu a Renúncia
       A natureza do Aspirante dedicado à Senda da Ação, que chegou a desenvolver plenamente a Renúncia (Sanyasa)  e a Entrega (Tyaga),   é descrita no Bhagavad Gita da seguinte forma: “Aquilo que os Videntes reconhecem como o Princípio Átmico, associado com a matéria, manifestando-se como causa e efeito, esse sou Eu, o Morador Interno, sem princípio, meio nem fim”(Gita II,6).
    Esse Renunciante adora o Supremo Deus como a Divina  Imanência (Antaryami), que mantém unidos todos os seres, como o fio das contas de um rosário (Gita XII,7).

As cinco causas das ações que governam os seres humanos e mundo 
         Embora seja a Causa Total, o Supremo Deus  manifesta-se  como as Cinco Causas que governam  os seres humanos e o Mundo. 

1ª Causa - O Espírito Santo  Universal (Atma). 
 É a Causa Espiritual, a principal causa de todas as ações humanas. Na verdade, Deus é Ator Universal, que age através de suas criaturas.  A Sua Santa   Presença  é que sustenta e dá   Vida a todos os Seres.  É Ele  a Inteligência e a Consciência  por trás de  todos as Mentes e Intelectos.
É quem percebe através de todos os Sentidos  e sente através de todas as Emoções.  É Quem vê através de todos os olhos e  escuta através de todos os ouvidos. Ele é a Grande Vida que, embora Una e Indivisível, atua como se fosse múltipla e separada. 
Nas palavras sábias do Apóstolo Paulo, "Existe um Único Deus, que  realiza tudo através de todos." 

2ª Causa - O Corpo Físico (e os sutis).
  É a Causa Material e a base através da qual se realizam as ações. Nos minúsculos  átomos dos  corpos sutis dos seres humanos  estão armazenadas as energias que contêm a  programação do Karma individual, onde se encontram presentes os comandos energéticos (Gunas) que influenciam poderosamente as  ações. Esse é o arquivo onde estão guardadas as sementes das  emoções, cargas e condicionamentos.

3ª Causa – O Aspirante através do Desejo ou Vontade.
 O Desejo é uma das Energias Divinas responsáveis pelo funcionamento dos seres humanos no processo do mundo. Sri Yanardana ensina que “Karta, o atuante, se equipara ao Desejo ou Vontade (Iccha), tendo em vista o fato de que todo Ser Individual é primeiramente uma Energia Desejo, ou, se assim o preferir, um Desejo Ativo.”

4ª Causa - Conhecimento (Gnana).
  A exemplo do Desejo, o Conhecimento é uma das três Energias Divinas responsáveis pelo  funcionamento dos seres humanos. É um elemento fundamental na realização de qualquer ação. Sem o adquado conhecimento, nenhum ato  pode ser realizado perfeitamente. 

        5ª Causa – Ação ou Atividade (Krya)
Ação ou Atividade é também uma Energia Divina responsável pelo nosso  funcionamento no processo do mundo.
Das causas das ações humanas, o Espirito Santo  Universal (Atma) representa o Aspecto Espiritual. O Corpo (físico e sutis) representam o Aspecto  Material. O  Aspecto da  Energia está representado pela  Stri-Shakti, as Energias femininas  do Conhecimento,  Desejo e  Ação.

Deus, o verdadeiro Ator Universal
 Na verdade, Deus é o Ator Universal que, através dos seus dois corpos, o Espiritual (Atma) e o Material (Prakriti), e da Sua Divina   Energia, a Brahma-Shakti,  sob a forma de Stri shakti,(Conhecimento  ou Gnana-Shakti, Desejo ou Iccha-Shakti e  Ação  ou Krya-Shakti), realiza todas as ações.

O Sinal do Renunciante
O verdadeiro Renunciante, portanto,  é aquele que, compreendendo a base sintética de todas as ações, atua no processo do mundo como mero  agente externo da Divina Providência.
 
Parte III
As Regras para a  Prática
Eliminar as  preferências pessoais
 Sem preferências pessoais, dotado com discernimento sintético, havendo transcendido as dualidades e estando completamente entregue à Vontade Divina, o Renunciante, que conquistou  a verdadeira liberdade,  nada aborrece nem nada deseja,  pois  está sempre pronto  para realizar, com  amor e dedicação, todos os atos necessários (Gita, XIX,3).

 Realizar todas as ações necessárias
 O verdadeiro Renunciante  reconhece não só a obrigação de realizar  todos os atos que correspondem aos seus deveres legítimos (necessários)  como também percebe a  necessidade absoluta de   omitir as ações erradas e ilegítimas, discernindo entre a escravidão gerada pelo medo e a liberação obtida mediante a coragem (Gita XI,7).
       Ele não repudia a execução que lhe corresponde fazer como atos necessários, nem deseja abandonar o cumprimento dessas ações (Gita XIII,21).

Não tentar  desistir das ações físicas
 As ações humanas  classificam-se em   físicas, mentais ou emocionais e intelectuais. O ato  físico  corresponde a apenas uma parte  da esfera de abrangência das ações.
Daí porque a simples desistência da ação física  não configura a plenitude da Renúncia. Quem desiste da ação física, portanto, nunca poderá ser um verdadeiro renunciante (Gita XIX,6).

Não se dedicar apenas à  Purificação dos sentidos, da Mente e do Intelecto
 Há pessoas que, esquecidas de que vivem num mundo da ação, dedicam-se, com exclusividade, ao processo de  purificação das atividades do Intelecto, da Mente emocional e dos sentidos, imaginando,equivocadamente, que  esse caminho, tingido de egoísmo, conduz à realização(Gita XIX,6). Não é assim. A verdade é a seguinte:
Só pode conhecer o eterno processo do mundo o aspirante  profundamente compreensivo, carente de toda perspectiva egoísta, mediante o completo desapego”(Renúncia e Entrega). Logo, por meio desse  conhecimento, a Busca Suprema deve ser  intentada (Gita VII, 12-13).
Buscar o Discernimento Sintético (Bhávana)
O primeiro passo para o avanço, com êxito, na Senda do Divino é, sem dúvida,  a Renúncia (Sanyasa) e a Entrega (Tyaga). Aqueles que não possuem discernimento sintético dificilmente conseguem alcançar o estado de Renunciante.  O sábio que possui tal discernimento, logo adquire bem-aventurança Divina (Gita XIX, 4).
          O Renunciante, compreendendo  que Tudo é Deus, que Tudo é da Natureza de  Deus e que Tudo é necessário,  ainda que esteja envolvido com as ações, não sucumbe escravizado por elas. Ele está consciente da sua condição de um mero agente externo das Ações e da  verdade de que Deus é o Ator Universal (Gita XIX,5).

Abandonar o Egoísmo e ideações da personalidade
 O egoísmo e a formação de ideias com base na personalidade separada são  obstáculos para alcançar-se  a  renúncia. Há, portanto, absoluta necessidade de abandonar-se  essas posturas,  que limitam o campo da ação humana. Sem isso,  ninguém pode se  converter em Renunciante (Gita XIX,7).

Não se apegar às ações que geram prazeres aos sentidos
       O   Renunciante  perfeito é aquele que não está apegado as ações que proporcionam prazeres aos sentidos (Gita XIX,8).
         Ele está consciente de que “as experiências que resultam do contato com os objetos dos sentidos são geradoras de sofrimento,  porque estão limitadas por um principio e por um fim. Daí porque  não se deleita com elas” (XVI, 24).

Abandonar o  Desejo Passional
         O desejo é uma Energia Divina que desempenha  um papel fundamental no processo do mundo. Quando, porém, ele é originário da paixão traz consigo uma força cega e descontrolada, que conduz  o aspirante a experiências de dor e sofrimento.
        Para  alcançar-se a perfeição na senda da renúncia, portanto, é necessário abandonar-se  todo desejo decorrente da paixão (Gita XIX,8).

Nunca se omitir das ações necessária
A omissão das ações necessárias nunca é aprovada. Sem a execução desses atos desinteressados, o curso da vida, no evolucionário processo do mundo, nunca será totalmente  cumprido (Gita XXII,24).
        O Renunciante sabe que, quando  não se executam essas ações devido   a carência de discernimento espiritual (Átmico), a omissão atrai, para seus corpos, átomos e moléculas de energia de obscuridade e  inércia (tamásica), dificultando, assim, o seu progresso no caminho da Busca Suprema (Gita XIX,14). 
        De igual modo, tem consciência de que a omissão dos  atos necessários,  devido às dificuldades ou por temor ao esforço físico  também atrai  átomos e moléculas de natureza instável ou  rajásica(Gita XIX,15).

Não tentar  abandonar a realização das ações
A   realização das ações nunca pode ser abandonada inteiramente. Aquele que renuncia ao fruto das ações necessárias  se considera como o verdadeiro renunciante (Gita XIX,18).

Não sucumbir à sedução dos Sentidos
 As ações que realizamos na vida ora  apresentam  resultados  agradáveis  ora   desagradáveis. 
As   dualidades do agradável e do desagradável residem nos  cinco sentidos, que tomam contato com os objetos,  que os impressionam. 
A natureza dos  sentidos físicos é a dualidade. Quando eles entram  em contato com qualquer objeto,  desperta-se  um gosto ou desgosto com relação àquele objeto.
Quando, por exemplo, ouvimos uma música (sentido da audição), imediatamente, gostamos ou não dessa música.  Saboreamos um alimento (sentido do paladar), e reagimos da mesma forma.
Olhamos para alguma coisa, achamos ou não bonita. É da natureza dos sentidos, portanto, pender para um  ou outro lado das dualidades.
Os sentidos, buscando sempre o lado agradável das coisas, conquistam o Ego, que quase sempre sucumbe à sedução do prazer, esquecendo-se do que é bom e necessário para sua felicidade e evolução: as ações necessárias.
O  aspirante, portanto,  deve tomar cuidados para não  render-se à sedução dos sentidos e desviar-se do caminho da verdadeira ação.
 Assim,  nunca  deve deixar de executar as ações só porque estas,  junto com seus frutos,  sejam desagradáveis, nem também  devem realizá-las  somente  porque sejam agradáveis, sem levar em conta a sua real necessidade e utilidade (Gita XIX,17).

 Não se influenciar pelos aspectos  agradável e o desagradável das Ações.
  Os verdadeiros renunciantes  não cedem a influência das dualidades (agradável e desagradável),  porque  sabem que  ambas  confundem a visão do caminho, direcionando o aspirante para a senda  das  ações incorretas(Gita XIX,20).
O conhecimento da forma de realizar a verdadeira ação é obscurecido pela influência das  paixões pessoais, que consomem o entendimento até o do aspirante inteligente, sendo considerada, juntamente com a ira, como os mais perniciosos e destrutivos inimigos do aspirante que busca o Ideal Divino (Gita XIX, 22-23)
        As paixões pessoais e a ira tem sua  influência e campo de operação,  nos sentidos, na Mente e no Intelecto.
       São essas faculdades  que obscurecem o discernimento espiritual  e confundem o aspirante (Gita XIX,24).

Dirigir espiritualmente os sentidos
    O aspirante deve  dirigir  espiritualmente os sentidos  para derrotar a paixão, que obstrue a inteligência e o conhecimento(Gita XIX,25).

Realizar  ações impessoais
 Deve realizar sempre atos impessoais porque “A consequência da ação impessoal (satwica) é harmoniosa e iluminativa(Gita XVIII, 3).

Evitar  ações incorretas
As ações executadas com apego a seus frutos, egoisticamente e com violência (rajásica) têm como consequência  a dor(Gita XVIII, 3).
As ações iniciadas sem discernimento espiritual, sem ter em conta o esforço necessário para realizá-las e sem preocupar-se com a natureza do resultado, causando dano e perda ao mundo(tamásicas), tem como consequência a ignorância do discernimento espiritual(Gita X, 15,XVIII, 3).

Realizar Sacrifícios (Yagnas), Caridade (Dana) e Austeridades
O verdadeiro Renunciante é aquele que, rendido à Vontade Divina, sem preferências pessoais, está completamente devotado à realização das ações necessárias com vistas ao progresso e bem estar da humanidade.
Nessa condição, ocupa-se com a execução das  ações necessárias conhecidas como Sacrifício (Yagna), Caridade (Dana) e Austeridades (Tapas).

Realizar os Sacrifícios sem desejar seus frutos
           Sacrifício é um ato oferecido à Divindade. Ele pode ser físico, mental ou intelectual. Deve ser executado sem desejar fruto algum como recompensa e por que sua execução é justamente necessária(Gita IX,11).

Realizar a Caridade com discernimento
         Caridade é doar algo a alguém, mas é, sobretudo, oferecer-se integralmente ao Divino no Santuário do próprio coração. 
         No ato de doar algo,  deve-se fazer sem o propósito de obter qualquer tipo de retribuição ou benefícios e com o devido discernimento quanto à oportunidade, o lugar e a conveniência(IX, 20).

Realizar as austeridades desinteressadamente
         Austeridade é uma forma de adorar Deus através  da atuação coordenada das  três faculdades humanas, a do conhecimento, desejo e ação. 
         As austeridades devem ser realizadas sem qualquer interesse no resultado, evitando-se realizá-la de forma ostensiva para  angariar reconhecimento, respeito e estima(Gita IX, 17-18).
Vejam-se, a seguir, as três categorias de austeridades: as do corpo, da palavra e da mente.

As  Austeridades do corpo
         As Austeridades do corpo consistem em reverenciar a si próprio, ao Mestre (Guru), aos Iniciados e aos Videntes. E também praticar a Limpeza, a  Retidão nas Ações, a Continência e  uma profunda Humildade(Gita IX, 14).

As austeridades da Palavra
     As Austeridades da palavra  consistem em praticar uma  linguagem inofensiva, que deve ser verídica, doce e benéfica. Realizar, de forma continuada, o estudo da Ciência adhyatmica, a Ciência exposta no Bhagavad Gita(Gita IX, 15).

As austeridades da Mente
As  Austeridade da Mente consistem em manter a Serenidade de Pensamento, o Contentamento, a Calma, Vigilância Mental e Pureza de Intenção(Gita IX, 16).
Parte IV
Conclusão 
        As Auteridades e  as demais  ações necessárias devem ser realizadas  desapegadamente e sem desejar os seus frutos.  Dessa forma,  elas purificam os  veículos e geram energias divinas para a felicidade(Gita XIX,12). 
                           Parte V                               
Oferecimento

       Dedico esse trabalho, com profundo amor, à causa da evolução dos seres humanos. A sua reprodução está autorizada a todas as pessoas interessadas, porque "nada faço nem sou causa de que nada se faça". 
Aracaju, 13 de junho de 2015.
Renato Gita





















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